:: Inclusão Digital
Contribuição da Diretoria de Inclusão Digital da UNE para os Encontros e Congressos das Executivas e Federações de Curso - julho/2006

O movimento estudantil vem travando nas últimas décadas diversas lutas em defesa da educação, da democracia na universidade e em torno de muitos outros temas. Na década de 90, com o surgimento da internet e a massificação da comunicação on-line, o cenário começou a mudar. O próprio ME ficou mais dinâmico, diversas executivas de curso conseguiram se articular melhor, enfim, muita coisa mudou. Só uma coisa não mudou: a cultura do software.

O Brasil aparece como um dos países com o maior índice de pirataria de software do mundo e essa cultura, iniciada nos anos 90 está cada vez mais presente. A novidade é que nós temos a opção de não ser piratas, basta utilizarmos o Software Livre.

Um ponto central é que a opção pelo Software Livre representa um duro golpe nas grandes multinacionais do “software de caixinha” da Europa e Estados Unidos e que correspondem a grandes partes do PIB destes países. Utilizar Software Livre não se resume a uma opção técnica, é uma opção ideológica.

Existe uma falsa impressão de que, praticando a pirataria, você está “passando a perna” nas empresas. Isso não é verdade. As empresas de software se apoiam na chamada “rede corsária” que massifica o uso do software proprietário mostrando que o usuário só tem aquela opção e faturando lá na frente quando as empresas e universidades, que são obrigadas a utilizar softwares legalizados, gastam fortunas em licenças.

O movimento estudantill não pode fechar os seus olhos para um cenário como esse. Ainda mais se pensarmos que no cálculo dos preços das mensalidades nas universidades particulares, o custo de licenças de software é um custo considerável.

Convidamos você a fazer parte deste debate e defender a universidade pública, gratuita, de qualidade com uso e desenvolvimento de Software Livre.

       SOFTWARE LIVRE     

O Software Livre é um programa de computador que oferece quatro liberdades para o usuário: executar, estudar, modificar e distribuir o programa para quem quiser. Essas liberdades são possíveis graças ao código aberto. No Software Livre, a tecnologia que está por trás do seu desenvolvimento está disponível para todos e isso abre um leque enorme de possibilidades. Os Softwares Livres são mantidos por comunidades de desenvolvedores que trabalham voluntáriamente nos projetos. E você pode fazer parte de uma comunidade dessas. Basta ter vontade de ajudar.

      Na Universidade, a opção é um direito

Você pode perceber que existem dois tipos de software: o proprietário e o livre. A questão: alguma vez a sua universidade te disse isso? Pois é, este é o ponto central desse debate. As Executivas e Federações de Curso precisam começar a agir decisivamente, junto com a UNE colocando na sua pauta de reivindicações a exigência de que as universidades ofereçam em seus laboratórios a opção ao estudante. Ele deve ter o direito de direcionar o aprendizado do seu curso, independente da área, utilizando o software livre, o software proprietário, ou ambos. Lembre-se: você tem o direito de escolher.

      Investimento Profissional

Muitas universidades particulares não utilizam Software Livre e justificam dizendo que “o mercado não usa”. Isso não é verdade. A utilização de Software Livre nas empresas tem crescido muito nos últimos anos e mais de 80% das empresas pensam em utilizar Software Livre a médio prazo. Com isso, chegar ao mercado depois de 4 ou 5 anos e perder uma vaga por falta de conhecimento na área não é aceitável. É obrigação da universidade, especialmente a pública, formar profissionais capacitados também no uso e no desenvolvimento de programas livres.

      Conhecimento e Cultura Livre

Por resolução do 49o. CONUNE, a UNE passou a adotar a licença Creative Commons em todas as suas publicações. O primeiro documento da UNE sob essa licença é o Projeto Brasil. O Creative Commons, ou CC, é utilizado quando o autor da obra deseja dar certas liberdades, como a reprodução para usos não comerciais, ou o direito a alteração com referência ao autor. Trata-se de uma iniciativa importante, uma vez que já existem mais de 1,4 milhões de obras licenciadas sob o CC no mundo e esse número só vem crescendo. Na universidade, a preocupação sempre é como proteger a sua descoberta. O CC vem para incentivar a disponibilização de qualquer obra, como teses, monografias, textos, arte, música e descobertas científicas.

      1º. Seminário Nacional de Inclusão Digital e Democratização da Informação (SENID) da UNE

Com o objetivo de ampliar o debate sobre a Inclusão Digital, o Software Livre, o uso da tecnologia na educação e a Liberdade do Conhecimento, a UNE realiza em novembro o seu primeiro seminário temático sobre Inclusão Digital. O SENID acontece de 09 a 12 de novembro de 2006 em São Paulo – SP, junto com a 4ª. Edição do CONISLI, o Congresso Internacional de Software Livre. O objetivo dessa união é colocar o movimento estudantil em contato com o movimento de software livre e vice-versa. Organize a caravana de sua universidade e participe!

       Portal UNELivre: www.une.org.br/livre

Para saber mais sobre esses temas, para convidar a Diretoria de Inclusão Digital da UNE para palestras e debates e para colaborar com os nossos projetos acesse o Portal UNELivre.

Leandro Chemalle – UFSCar
Diretor de Inclusão Digital
UNELivre - União Nacional dos Estudantes
leandro@une.org.br - www.une.org.br/livre

Voltar

União Nacional dos Estudantes 2007. Alguns direitos reservados.
Todo o nosso conteúdo pode ser utilizado segundo os termos da Creative Commons License:  Atribuição: Crédito do Autor - Permanência da Licença, salvo disposição em contrário indicada de forma explícita no tópico correspondente.