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| :: Licensas |
Conheça as licensas que regem o mundo livre
Links Importantes:
Creative Commons: www.creativecommons.org.br
General Public License (GPL): www.gnu.org
Para falar sobre Software Livre é indispensável que comecemos falando em
Direitos Autorais e Copyright, uma expressão criada pelos estadunidenses com
o objetivo de dar exclusividade de edição de materiais de imprensa escrita aos
seus detentores.
Dessa forma, autores que possuíssem o Copyright de suas obras poderiam
designar quem poderia, e como poderia, copiar e distribuir cópias de seus
livros, artigos ou revistas. Entretanto, como não é necessário ser autor da
obra para deter o seu Copyright, não podemos dizer que direito autoral é
igual a Copyright.
Copyright pode ser definido dessa maneira:
"O único direito legal concedido a um escritor, a um editor, a um compositor, ou
a um distribuidor para publicar, produzir, vender, ou distribuir um trabalho
artístico."
E na legislação Estadunidense (pode ser visto em http://www.copyright.gov), na lei que
define Copyright, está o texto abaixo (tradução dos editores):
"Usado para promover o progresso da ciência e das artes úteis, fixando-se por
épocas limitadas aos autores e aos inventores o direito exclusivo sobre suas
respectivas escritas e descobertas."
Enquanto isso, o Direito Autoral é o direito que o autor do software tem de
deixar seu produto sob um Copyright (veja que o copyright pode não ser
seu), sem necessariamente estabelecer regras de uso, cópia e distribuição. Por
exemplo, um funcionário faz um software em uma empresa e concorda em ceder-lhe
o seu copyright, ele abre mão de definir como será usado, copiado e
distribuído o programa, mas não deixa de ser o autor e pode reclamar se o
software for usado para um fim não previamente acordado com a Empresa.
O sistema de copyright atribui donos ao software, e esses, pela definição
apresentada acima, têm o direito de estabelecer regras de distribuição da obra.
Devido a esse poder, surgiu o conceito de Software Proprietário, um
paradigma de distribuição de software vigente desde o início da década de 80,
que foi responsável pela criação do chamado software de caixinha.
Porém, ao contrário do que muitos pensam, simplesmente existir o copyright de
um software não basta para que ele seja Software Proprietário. O copyright, ou
Direito de Uso, permite que o detentor desse direito estabeleça regras para o
uso e distribuição do software. Essas regras são chamadas de licenças de uso,
e podem estabelecer, por exemplo, se o software pode ou não ser distribuído
gratuitamente, se pode ou não ser copiado, entre outras coisas...
Software Livre não é necessariamente de domínio público!, apesar de essa ser uma
interpretação compreensível do conceito de liberdade, para quem ainda não se
familiarizou com a quebra do paradigma do software proprietário.
Um programa de domínio público é aquele em que o criador abre mão de seus
direitos de autoria e de licenciamento de cópias. Nesse caso, quem estiver de
posse do código tem o direito de fazer dele o que desejar, sem ter que obedecer
a qualquer restrição ou norma.
No paradigma do Software Livre, o autor do software resguarda seus direitos de
criador, mantendo livres o uso e o conhecimento (do código-fonte) do software
para quem deles necessitar através da redação adequada de um copyright.
Dessa subversão do sentido do copyright para
proibir que haja restrições, em vez de restringir o uso, vem o termo
CopyLeft. Um trocadilho com a palavra em inglês (deixe copiar, ao invés de
direito de cópia), mas que não tem significação legal.
Ao invés de encararmos o software como uma idéia, uma forma de se solucionar um
problema, nós ainda o vemos como um item final de uma linha de produção; um
artigo físico, que se desenvolveu como qualquer outro produto, em escala
industrial, e pelo qual se deve pagar. Nessa definição, o software se assemelha
mais a uma cadeira ou a uma mesa, do que a uma fórmula matemática, ou a uma
especificação científica.
Imaginem se o o grego Pitágoras tivesse podido, há séculos atrás, restringir a
forma como deveríamos utilizar suas descobertas relacionadas a cálculos com
círculos e triângulos; Todo o desenvolvimento matemático, de engenharia e
arquitetura atuais estariam comprometidos.
Coisa semelhante acontece com programas de computador. Se considerarmos o
programa como uma maneira de se resolver determinado problema, com a ajuda do
computador, então fica mais simples aceitar o software como uma idéia, não como um
bem.
E o que queremos é que as boas idéias sejam utilizadas em benefício de todos, e
que todos possam usufruir das idéias e das inovações da tecnologia e da
ciência.
Para garantir essa liberdade, no caso do software para computador, a
Free Software Foundation redigiu algumas licenças, que,
aplicadas ao programa, mantêm os direitos de autoria ao implementador do
software, dando aos usuários do programa certas liberdades.
No caso da mais conhecida das licenças para Software Livre, a GNU General Public License (GPL), essas liberdades incluem o direito de
estudar, alterar para se adequar aos seus interesses, copiar e redistribuir o
software, desde que nunca se subtraia do próximo usuário esses mesmos direitos.
Há outras licenças, algumas mais, outras menos restritivas. A
Lesser GPL (LGPL) -- também redigida pela FSF -- por exemplo, é mais
permissiva que a GPL. Bibliotecas de funções distribuídas sob a LGPL podem ser
utilizadas por software proprietário, apesar de serem livres. Se essas mesmas
bibliotecas estiverem sob a GPL, elas podem ser usadas apenas por programas
também sob a GPL.
* Texto original retirado da Cartilha do Software Livre do PSL-BA
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